A maternidade trouxe-me culpa… mas também trouxe verdade

A maternidade trouxe-me culpa… mas também trouxe verdade

Antes de ser mãe já existiam inseguranças, exigência e autocobrança. Mas nada comparado com a intensidade emocional que a maternidade trouxe.

Ser mãe trouxe-me um amor impossível de explicar. Mas trouxe também culpa.

Uma culpa silenciosa. Constante. Difícil de explicar.

Como se existisse sempre uma voz dentro de mim a perguntar:

“Será que fiz o suficiente?” “Será que podia ter feito melhor?” “Será que estou a falhar sem perceber?”

E o mais estranho é que o meu lado racional sabe de tudo isto. Sabe que não preciso de ser perfeita. Sabe que o importante é amar, cuidar, estar presente.

Mas mesmo assim… há dias em que o coração pesa.

Dias em que me sinto cansada. Angustiada. Exausta da pressão constante de querer ser tudo ao mesmo tempo.

Boa mãe. Boa profissional. Boa companheira. Boa mulher.

E talvez muitas mães sintam exatamente isto em silêncio.

Porque existe um peso invisível na maternidade sobre o qual ainda se fala pouco.

O medo de falhar. O medo de não estar a fazer o melhor para os nossos filhos. O medo de lhes passar as nossas dores, os nossos medos, as nossas inseguranças.

E às vezes isso torna-se esmagador.

Mas no meio dessa intensidade toda, a maternidade também me trouxe outra coisa: verdade.

Obrigou-me a olhar para mim. Para a forma como me trato. Para a exigência absurda que colocava sobre os meus ombros.

Fez-me perceber que passei demasiado tempo a acreditar que precisava de ser impecável para merecer amor.

Hoje tento fazer diferente.

Tento falar comigo com mais ternura. Tento aceitar que não vou conseguir controlar tudo. Tento lembrar-me de que uma mãe não precisa de ser perfeita para ser suficiente.

E talvez seja exatamente isso que precisamos de ouvir mais vezes.

Que também merecemos colo. Também merecemos descanso. Também merecemos espaço para sentir.

Sem culpa. Sem vergonha. Sem máscaras.

Beijinhos Daniela