A Daniela de 2024 e a Daniela de hoje 🤍

A Daniela de 2024 e a Daniela de hoje 🤍

Há dias reencontrei um texto que escrevi em 2024, quando decidi regressar à Oficina do Desenvolvimento.

E foi estranho… mas bonito.

Porque enquanto lia aquelas palavras, percebi que a essência da mulher que sou hoje já estava toda lá. Mesmo quando eu ainda não conseguia vê-la com clareza.

Na altura escrevi:

“Tenho tudo para ser feliz, mas sinto que algo me falta.”

E lembro-me perfeitamente dessa sensação.

Não era ingratidão.
Não era falta de amor pela minha vida.
Era apenas um desalinhamento profundo comigo mesma.

Por fora parecia que estava tudo certo.

Tinha trabalho.
Responsabilidades.
Uma vida estável.
Cumpria aquilo que era esperado de mim.

Mas por dentro existia uma sensação constante de vazio.
Como se estivesse a viver demasiado em piloto automático.
Demasiado distante da minha verdade.
Demasiado desconectada daquilo que realmente me fazia sentir viva.

Também escrevi:

“A forma como estava a viver não estava alinhada com os meus valores.”

E hoje consigo perceber o quanto essa frase carregava verdade.

Durante muito tempo vivi demasiado ligada às expectativas dos outros.
Àquilo que devia ser.
Ao que parecia mais seguro.
Mais aceitável.
Mais “certo”.

Aceitei caminhos por medo do desconhecido.
Mantive-me em lugares que já não me preenchiam porque me davam estabilidade.
Afastei-me das redes sociais porque me sentia emocionalmente cansada e sem espaço interno para me expor.
Sentia-me constantemente insuficiente.

E talvez o mais difícil tenha sido perceber que, sem dar conta, eu própria me estava a abandonar para continuar a corresponder.

Naquela altura ainda existia muito medo em mim.
Muito receio de ocupar espaço.
Muita necessidade de justificar aquilo que sentia.
Muito medo de ser vista verdadeiramente.

Mas ao mesmo tempo… já existia uma voz dentro de mim a querer sair.

Uma voz silenciosa, mas persistente, que dizia:

“não quero continuar a viver afastada de mim.”

Entretanto a vida mudou-me profundamente.

Tornei-me mãe.

E a maternidade trouxe-me o maior amor da minha vida… mas também o maior espelho.

Obrigou-me a olhar para mim de uma forma que nunca tinha olhado.
Fez-me questionar quem eu era para além das funções, das obrigações e das expectativas.
Mostrou-me partes minhas que estavam esquecidas, cansadas e silenciosas.

E talvez tenha sido exatamente aí que começou o verdadeiro regresso a mim.

Hoje, quando olho para trás, sinto que muita coisa mudou.

Não porque tenha deixado de ter inseguranças.
Ou porque finalmente descobri todas as respostas.

Mas porque comecei, aos poucos, a escolher-me.

Comecei a ouvir mais aquilo que sinto.
A respeitar mais o meu ritmo.
A perceber que não preciso viver constantemente em luta comigo mesma.
Nem continuar a encaixar em lugares que já não refletem quem sou.

Hoje percebo que o meu caminho nunca foi sobre perfeição.
Foi sempre sobre verdade.

Sobre recuperar a minha voz.
Sobre aprender a ocupar espaço sem pedir desculpa por existir.
Sobre deixar de viver apenas para agradar e começar finalmente a construir uma vida que também faça sentido para mim.

A Oficina também mudou comigo.

Antes talvez fosse apenas um projeto.
Hoje sinto que é uma extensão daquilo que sou.
Um espaço de reencontro.
Um espaço onde posso ser verdadeira.
E onde outras mulheres também podem sentir que não precisam fingir que está tudo bem o tempo todo.

Sem máscaras.
Sem pressão.
Sem perfeição.

Só presença.
Só verdade.
Só amor.

E talvez a maior diferença entre a Daniela de 2024 e a Daniela de hoje seja esta:

Antes eu ainda estava à procura de permissão.

Hoje… estou lentamente a aprender a ocupar o meu lugar 🤍

Beijinhos Daniela