
Talvez precisemos apenas de nos reencontrar 🤍
Há momentos na vida em que tudo começa a fazer sentido de uma forma difícil de explicar.
Como se várias peças, que durante muito tempo estiveram soltas dentro de nós, finalmente começassem a encaixar.
Foi exatamente isso que senti recentemente.
Ao ler um texto e ver um vídeo relacionados com a formação que iniciei para ser Terapeuta Transpessoal, senti de forma muito clara que estar naquele lugar não aconteceu por acaso. Como se a vida me estivesse, aos poucos, a conduzir exatamente para onde precisava de ir.
Nos últimos tempos decidi começar um projeto muito pessoal, ligado a um sonho antigo que sempre existiu dentro de mim:
criar um espaço onde mulheres se possam sentir acolhidas, compreendidas e acompanhadas no processo de voltarem a si mesmas.
E talvez a verdade seja esta:
eu também estou a aprender a voltar a mim.
Sempre existiu em mim uma vontade muito profunda de ajudar os outros. De ensinar, partilhar, criar conexão humana e conversas verdadeiras.
Mas durante muito tempo vivi desconectada de partes importantes de mim.
Hoje consigo perceber que muitas das minhas escolhas, medos e inseguranças eram guiadas por uma parte minha muito mais pequena e ferida. A menina que precisava constantemente de validação, atenção, carinho e aprovação.
Então o medo de falhar tornou-se muito presente.
O medo de não agradar.
De não ser suficiente.
De fazer algo errado.
E durante muito tempo vivi assim:
a tentar corresponder.
Hoje olho para trás com mais compaixão e percebo que esses mecanismos não apareceram por acaso. Eles ajudaram-me a sobreviver emocionalmente em vários momentos da infância.
Mas também reconheço que aquilo que um dia me protegeu… começou, mais tarde, a limitar-me.
O meu caminho começou através do desenvolvimento pessoal.
Primeiro uma formação.
Depois outra.
Mais tarde uma formação em coaching, que acabou por ser muito mais do que aprendizagem técnica — foi também um mergulho interno.
Mas mesmo assim, a procura continua.
Uma procura constante por me compreender melhor.
Por quebrar padrões antigos.
Por questionar tudo aquilo que aprendi sobre mim mesma e que, no fundo, já não faz sentido para quem eu sou.
Comecei terapia.
E tem sido uma das experiências mais importantes da minha vida.
Foi nesse espaço que comecei verdadeiramente a acolher a minha menina pequenina. A olhar para partes minhas que antes rejeitava ou nem sequer conseguia reconhecer.
Dar-lhes espaço.
Voz.
Compreensão.
Começar, aos poucos, a abraçar também a minha sombra.
E apesar de continuar nesta jornada de descoberta, hoje sinto algo diferente dentro de mim.
Já não quero apenas continuar este caminho sozinha.
Quero criar espaços onde outras mulheres também se sintam seguras para serem elas próprias. Para falarem das suas dores sem vergonha. Para perceberem que não precisam carregar tudo sozinhas.
Quero que sintam que não estão erradas por sentirem demasiado.
Que não precisam de ser perfeitas para merecer amor, descanso ou pertença.
Porque talvez o caminho não seja tornarmo-nos outra pessoa.
Talvez seja apenas termos coragem de nos reencontrarmos connosco mesmas 🤍
Beijinhos Daniela