Entre aquilo que sabemos… e aquilo que ainda sentimos 🤍

Entre aquilo que sabemos… e aquilo que ainda sentimos 🤍

Reconheço uma dualidade muito presente dentro de mim.

Existe uma parte racional que tenta compreender tudo. Que procura sentido, explicações, crescimento. A parte que quer avançar, perdoar, agradecer e seguir em frente.

Mas existe também o lado emocional.

E nem sempre os dois caminham ao mesmo ritmo.

Talvez uma das coisas mais difíceis que tenho aprendido seja exatamente isto:
o coração tem o seu próprio tempo.

Durante muito tempo vivi em conflito entre aquilo que “sabia” racionalmente e aquilo que ainda sentia emocionalmente.

Como se uma parte de mim já estivesse pronta para deixar ir… mas outra ainda estivesse a processar a dor, o medo, a rejeição ou determinadas experiências.

E isso criava em mim muita confusão.

Questionava-me constantemente:
“Porque é que ainda sinto isto se racionalmente já percebi?”
“Porque é que continuo presa emocionalmente a algo que já entendi?”

Hoje começo lentamente a perceber que talvez não exista certo ou errado nesses momentos.

Existe apenas verdade.

E a verdade emocional nem sempre acontece ao mesmo tempo que a compreensão racional.

Às vezes o racional já percebeu tudo.
Mas o emocional ainda precisa de tempo para integrar.
Para sentir segurança.
Para processar.
Para cicatrizar.

E talvez a única coisa que possamos fazer seja deixar de lutar tanto contra isso.

Aceitar-nos com mais compaixão.

Sem pressão para estarmos “resolvidas” rapidamente.

Outra dualidade muito presente na minha vida é esta sensação constante entre viver em piloto automático… e sentir-me verdadeiramente conectada comigo mesma.

Porque a verdade é que o ritmo da vida atual nos afasta facilmente de nós.

As responsabilidades.
O trabalho.
As exigências.
Os estímulos constantes.

Vivemos tão focadas em produzir, corresponder e sobreviver ao ritmo dos dias… que deixamos de conseguir ouvir a nossa própria voz.

E sinto que isto acontece muito connosco, mulheres.

Assumimos tantos papéis ao mesmo tempo.
Queremos dar conta de tudo.
Ser presentes.
Fortes.
Organizadas.
Boas profissionais.
Boas mães.
Boas companheiras.

E sem perceber… começamos a viver numa exigência constante connosco mesmas.

Tornamo-nos tão duras, tão focadas em sobreviver e corresponder, que acabamos lentamente por nos afastar da nossa essência.

Da nossa intuição.
Da nossa sensibilidade.
Do nosso corpo.
Da nossa verdade interior.

Sinto isso especialmente desde que fui mãe.

A maternidade trouxe-me um amor impossível de explicar, mas também me confrontou profundamente comigo mesma.

Com os meus limites.
As minhas feridas.
As minhas exigências.
A dificuldade em encontrar equilíbrio entre todos os papéis que tento ocupar.

E honestamente?
Ainda não encontrei totalmente esse equilíbrio.

Mas talvez o mais importante seja perceber que continuo disponível para me ouvir.

Continuo disponível para me questionar.
Para parar.
Para voltar a mim.

Porque talvez o caminho não seja chegar rapidamente a uma versão “curada” ou completamente resolvida de nós mesmas.

Talvez o caminho seja este:
regressarmos a nós, vezes sem conta, com cada vez mais consciência, verdade e compaixão 🤍

Beijinhos Daniela