
Quando cuidar de todos te faz esquecer de ti
Há uma coisa que muitas de nós fazemos sem perceber: tornamos-nos tudo para toda a gente.
Cuidamos.
Resolvemos.
Ajudamos.
Ouvimos.
Sustentamos emocionalmente quem está à volta.
E durante muito tempo acreditamos que isso é apenas amor, responsabilidade ou força.
Mas existe um momento em que começamos lentamente a desaparecer dentro desse papel.
Primeiro em pequenas coisas.
Deixamos de descansar quando precisamos.
Ignoramos o cansaço.
Silenciamos aquilo que sentimos porque parece “menos importante” do que os problemas dos outros.
E sem perceber… começamos a afastar-nos de nós mesmas.
Até ao dia em que olhamos ao espelho e já não reconhecemos completamente a mulher que está do outro lado.
Quem é ela?
O que gosta?
O que sente?
O que precisa?
Porque durante tanto tempo estivemos focadas em cuidar de toda a gente… que deixámos de nos ouvir.
E isso tem um preço.
O corpo começa a ficar cansado.
A mente sobrecarregada.
A energia drenada.
Vivemos constantemente em esforço.
E talvez uma das coisas mais difíceis seja esta sensação de que aquilo que sentimos ou pensamos já nem parece importante.
Mas é.
Tu és importante.
E a verdade é que quando nós não estamos bem, isso acaba inevitavelmente por tocar tudo à nossa volta.
As nossas relações.
Os nossos filhos.
O nosso corpo.
A nossa paz.
Eu precisei de sentir isto na pele para finalmente perceber que tinha de parar.
E parar não foi fácil para mim.
Porque sempre fui aquela pessoa que, assim que alcança um objetivo, passa imediatamente para o próximo. Sem saborear. Sem respirar. Sem integrar o caminho.
Como se nunca fosse suficiente.
E quando penso nisso com honestidade, percebo que talvez venha muito daquilo que ouvi durante a infância.
“Tu és preguiçosa.”
Durante anos carreguei isso comigo sem perceber.
E talvez por isso parar me faça sentir desconfortável.
Como se descansar fosse errado.
Como se abrandar significasse falhar.
Mas o corpo fala.
E quando ignoramos demasiado tempo aquilo que sentimos, ele encontra forma de nos obrigar a ouvir.
No meu caso foi através do burnout.
Do cansaço extremo.
Da sensação de estar completamente desconectada de mim.
E foi precisamente desse lugar que tudo começou a mudar.
A Oficina nasce de algo muito pessoal.
Nasce de viver em primeira pessoa tudo aquilo que hoje partilho aqui.
Nasce da vontade de criar um espaço onde outras mulheres também possam parar sem culpa.
Um lugar seguro para respirar.
Para se ouvirem novamente.
Para partilharem aquilo que carregam em silêncio.
Porque acredito profundamente que muitas mulheres estão cansadas de fingir que conseguem dar conta de tudo sozinhas.
E talvez aquilo de que mais precisamos não seja aprender a ser perfeitas.
Talvez precisemos apenas de voltar a nós.
Por isso decidi começar com sessões online em grupos pequenos, apenas para mulheres.
Sessões para voltar a ti.
Para te escutares.
Para reconectares contigo mesma.
Para descansares emocionalmente.
Para perceberes que não estás sozinha.
Porque quando uma mulher começa verdadeiramente a ouvir-se… alguma coisa dentro dela começa também a regressar a casa.
A próxima sessão será no dia 18 de Junho 2026.
E talvez seja muito bonito conhecer-te por lá 🤍
Beijinhos Daniela